
Febre Amarela volta a ter casos no Brasil
O Ministério de Saúde está tendo de se ver às voltas com uma doença que todos acreditavam já ter desaparecido no Brasil: a Febre Amarela. Em 20 de abril de 2007, a Secretaria de Vigilância em Saúde do estado de Goiás, foi notificada de um óbito ocorrido dois dias antes, e confirmado para Febre Amarela Silvestre. O paciente era um homem de 23 anos, lavrador, que trabalhava em uma fazenda da região do município de Jataí, localizada ao sudoeste do Estado.Três dias depois, mais um caso suspeito de febre amarela. Era outro homem de 50 anos, residente no mesmo município e que acabou falecendo. O município de Jataí não possuía registros de febre amarela desde 1981, embora tenha relatado morte de macacos no ano de 2000, período de extensa epidemia de Febre Amarela Silvestre no Estado de Goiás.A Secretaria de Saúde do Estado de Goiás com alerta aos municípios da região e para todo o Estado de Goiás, orientando os municípios para intensificar a vacinação e para a ocorrência de casos suspeitos de febre amarela, sendo adotada a estratégia de vacinação de casa em casa, na zona rural, visando atingir 100% de cobertura o mais breve possível. E estende o alerta às regiões de fronteira dos Estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e São Paulo com o Estado de Goiás. Recomenda-se a intensificação da vigilância epidemiológica e cobertura vacinal, principalmente entre caminhoneiros e migrantes entre esses Estados, em virtude da história recente de surtos no Brasil, envolvendo turistas e apresentando elevado número de casos e altas taxas de letalidade, próximas de 50%.HistóriaA febre amarela é causada por um vírus do grupo dos arbovirus, que engloba todas as viroses transmitidas por artrópodes, como são os mosquitos em geral. Nessa doença em particular, funciona como vetor (transmissor), o mosquito Aedes aegypti que além da febre amarela pode também ser vetor para a doença denominada Dengue. A febre amarela é um dos maiores problemas de saúde pública, pela sua gravidade e pela sua influência na política e na econômica de um país. Desde 1942 não se registra no Brasil surto epidêmico de Febre Amarela urbana.Até 1997, a incidência dos casos apresentava certa regularidade, com pequena ocorrência de casos. A partir de 1998 essa tendência se modificou, com aumento progressivo do número de casos confirmados, se deslocando para o sul e para o leste do país. Neste mesmo ano, ocorreu um surto na ilha de Marajó (Pará) com a transmissão prosseguindo em 1999. Em 2000 ocorreram casos nos estados do Acre, Amazonas, Bahia, Distrito Federal, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso, Pará, São Paulo e Tocantins. Em 2001 houve um surto no estado de Minas Gerais, mais precisamente em Divinópolis e de Patos de Minas, e em 2003 no vale do Jequitinhonha. Em 2004, foram confirmados 5 casos, 3 no Amazonas e 2 no Pará, com 2 mortes. Em 2005 tivemos 3 casos, 2 no Amazonas e 1 em Roraima com 3 óbitos. Nestes últimos anos também se observou intensificação da circulação viral em países vizinhos ao Brasil, principalmente Perú e Bolívia.No estado de São Paulo os casos de Febre Amarela ocorreram até a década de 50. Em 2000, foram notificados dois casos na região de São José do Rio Preto (municípios de Santa Albertina, Ouroeste, e Dolcinópolis). O que é?A Febre Amarela é uma doença infecciosa aguda, de curta duração (no máximo 10 dias), com gravidade variável, causada por um vírus, do gênero Flavivirus, família Flaviviridae. O quadro clínico caracteriza-se por início abrupto, com febre alta, dor-de-cabeça, calafrios, dor lombar, enjôos, vômitos, dores musculares, prostração, dores nos olhos e pouca resistência à luz, com duração, em torno, de 3 dias. SintomasApós esse período a doença pode evoluir para a cura ou agravamento do caso. Nos quadros graves aparece novo acesso febril, manchas na pele, hemorragias na boca e na pele, hipotensão, e prostração acentuada. O comprometimento do sistema nervoso central manifesta-se em geral por delírio, convulsão e coma. Esse quadro deve durar entre 7 e 10 dias. Dentre os casos graves notificados, a taxa de mortalidade pode chegar a 40%.Transmissão Nas zonas urbanas e em alguns aglomerados rurais a transmissão é dada pela picada do Aedes aegypti infectado, e nas selvas da América do Sul, pela picada de outros mosquitos silvestres. O período de incubação da doença pode variar de 3 a 6 dias.O sangue da pessoa doente pode infectar o mosquito pouco antes do início da febre e durante os 3 a 4 primeiros dias da doença, aonde ele passa a ser mais um transmissor da doença. Localidades onde existam muitas pessoas suscetíveis e densidade elevada de mosquitos transmissores, estão sujeitas a ocorrência de epidemias.O ciclo de incubação do vírus no Aedes aegypti é, em geral de 9 a 12 dias nas temperaturas normais de verão (23º a 32º C). Uma vez infectado, o Aedes aegypti assim permanecerá durante toda o seu ciclo de vida, que dura em média de 30 a 60 dias.Como se protegerA imunidade é obtida mediante a aplicação da vacina contra a Febre Amarela, que deve ser tomada e renovada a cada 10 anos. É uma vacina viral atenuada originária da cepa 17D do vírus da Febre Amarela. O vírus vacinal é cultivado em ovos embrionados de galinha. O início da proteção é a partir do 10º dia.A vacinação tem como objetivo conferir proteção individual e coletiva na população, e bloquear a propagação geográfica da doença criando uma barreira de imunidade na prevenção de epidemias. É indicada para crianças a partir dos 9 meses de idade, principalmente se residem ou viajam para áreas endêmicas. Em situações de epidemia ou surtos pode-se antecipar a idade da vacinação para 6 meses. É indicado também ao pessoal de laboratório que é suscetível à exposição do vírus.A partir da confirmação de um caso de Febre Amarela, o município de residência do paciente deverá ser avaliado segundo a infestação domiciliar pelo Aedes aegypti e vacinação anterior contra febre amarela. Neste município deverá ser realizada intensificação da vacinação.A vacina deve ser direcionada também à população de risco, principalmente a caminhoneiros, motoristas, turistas, pescadores, caçadores, garimpeiros, dentre outros que se dirigem às vezes ou freqüentemente para as áreas de risco, neste caso para regiões próximas ao estado de Goiás. A vacina deve ser aplicada, no mínimo, 15 dias antes da viagem.Contra-indicaçõesNão é aconselhável tomar a vacina crianças menores de 6 meses de idade; portadores de imunodeficiência congênita ou adquirida ou neoplasia maligna (leucemias, linfomas e AIDS); pacientes sob tratamentos com imunossupressores (corticóide, quimioterapia antineoplásica, radioterapia etc.); gestantes; e pessoas com história de reação anafilática após ingestão de ovo.Como evitarNa forma urbana, onde o vetor é o Aedes aegypti, há risco de transmissão quando os índices de infestação são altos. Devem ser aplicadas as medidas de combate a esse vetor, de acordo com as técnicas preconizadas no controle de vetores da Febre Amarela e Dengue. Na forma silvestre, onde os vetores estão amplamente distribuídos e com hábitos silvestres, não é possível a aplicação de medidas de controle. Quem desejar receber a vacina pode procurar a Secretaria de Saúde de São Pedro, e falar com a equipe de Vigilância Epidemiológica. Telefone: (19) 3481.5525.
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