segunda-feira, 28 de maio de 2007

Em busca do vírus do oeste do Nilo




Em busca do vírus do oeste do Nilo - por Wagner de Oliveira
Um consórcio que reúne pesquisadores de Venezuela, Brasil, Estados Unidos e Porto Rico, incluindo virologistas, entomologistas e ornitólogos, acaba de ter aprovada uma verba de U$ 300 mil do Instituto Nacional de Saúde (NIH/EUA) para realizar pesquisas sobre a possibilidade de introdução do vírus do oeste do Nilo (West Nile virus (WNV), em inglês) na América do Sul.

Anthony Érico Guimarães
Na primeira parte do estudo, que começa em agosto no Parque Nacional do Rancho Grande na Venezuela, e para a qual foram liberados os primeiros U$ 100 mil, serão estudadas aves migratórias que anualmente deixam a América do Norte, onde a doença já se manifestou, para passar alguns meses em países da América do Sul. A pesquisa também está sendo feita no pantanal do Mato-Grosso, outro local procurado por aves migratórias vindas da América do Norte e que podem potencialmente trazer o vírus do oeste do Nilo para o Brasil.
Considerada uma doença emergente, a febre do Oeste do Nilo chegou aos EUA no final da década de 90 e teve registrado naquele país, em 2003, 9.388 casos, com 246 mortes. No homem, o vírus pode provocar sintomas parecidos ao da gripe, com febre, dor de cabeça e erupções cutâneas. Esses sintomas podem levar a complicações como convulsões e paralisia. Efeitos mais severos como encefalite e meningite acontecem com menos de 1% dos infectados, podendo levar à morte.

Anthony Érico Guimarães
A costa venezuelana é a porta de entrada da rota dos pássaros migratórios para o hemisfério sul, a partir do Caribe e América do Norte. O vírus já infectou e matou várias espécies de aves nos Estados Unidos.
Na Venezuela, essas aves migratórias infectadas podem encontrar espécies de mosquitos que, após delas se alimentar, são capazes de transmitir o vírus do oeste do Nilo ao homem, de forma semelhante ao ocorrido dos EUA. Visando esse monitoramento, serão feitas capturas dessas aves duas vezes ao ano, no princípio e no fim da atividade migratória. Os locais serão visitados durante três dias consecutivos a cada ciclo de amostragens.
Os pesquisadores também farão capturas de mosquitos para saber se estão infectados com o WNV. Vários mosquitos vetores do vírus nos EUA e México são comuns na Venezuela. Após serem determinadas especificamente, as espécies de mosquitos potencialmente ornitófilas (que sugam sangue de aves) serão estudadas, por técnicas de biologia molecular, visando identificar a possível presença do vírus.

Anthony Érico Guimarães
"Trata-se do primeiro estudo sistematizado sobre o potencial de presença do vírus na América do Sul. É provável que em áreas urbanas da América Latina possam ocorrer focos da doença. Algumas espécies de mosquitos que foram encontradas com o vírus no sul dos Estados Unidos são freqüentes em áreas urbanas na América do Sul", diz Anthony Érico Guimarães, entomologista da Fiocruz que integra a equipe. A coordenação-geral do projeto estará sob a responsabilidade da virologista Irene Bosch, da Universidade de Massachusetts, nos Estados Unidos.
Como cavalos também podem ter um importante papel no ciclo da doença, por serem reservatórios do vírus, cerca de dois mil desses animais, que vivem nas regiões costeira, central e ocidental da Venezuela, serão estudados ainda na primeira fase do projeto. Em apoio aos trabalhos na Venezuela, pesquisas com mosquitos potencialmente vetores do WNV já vêm sendo desenvolvidas no pantanal do Mato Grosso, outro local muito procurado por aves migratórias, pela equipe coordenada por Guimarães, na Fiocruz.


Segundo o entomologista, estudos anteriores sobre a expansão de outras arboviroses, também disseminadas por animais silvestres, geralmente aves e mamíferos, e de forma semelhante à febre do oeste do Nilo, mostraram que os vírus causadores dessas doenças foram transportados para e da América tropical através das rotas migratórias de aves residentes ao norte dos Estados Unidos.
Recentemente, o vírus do oeste do Nilo começou a circular no México, onde os cavalos têm sido os principais reservatórios, e no Caribe. "Por isso, é esperado que continue se propagando para a América do Sul", completa o pesquisador.
História da febre do oeste Nilo
Ciclo da doença

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