
O Brasil está mais obeso
Pesquisa do IBGE revela que mais de 40% dos brasileiros estão acima do peso ideal; há 30 anos, o total de adultos nessa situação era de 16%
O excesso de peso é considerado doença crônica e fator de risco. Segundo pesquisas, as principais causas do aumento de peso são o alto consumo de alimentos gordurosos e a falta de atividade física. Até aí nenhuma novidade.Mas uma pesquisa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) aponta dados alarmantes. Cerca de 40% dos brasileiros adultos estão acima do peso. Desse total, ala masculina é a mais afetada, somando 71%. Além disso, mais de 10% da população é obesa. Há 30 anos, o número de adultos obesos era de 16%.A pesquisa do IBGE mostrou ainda que, nos últimos 30 anos, o número de crianças e adolescentes do sexo masculino acima do peso subiu de 4% para 18%. Entre as meninas, o salto foi de 7,5% para 15,5%. De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde) existem mais de um bilhão de adultos com excesso de peso no mundo, 25% a mais que no ano 2000. Desse grupo, pelo menos 300 milhões são obesos, contra 200 milhões em 1995. A situação é tão alarmante que a doença já até ganhou status de epidemia. A estimativa é que em 2030 o mal aumente 30% no Brasil, 70% nos EUA e 50% na Inglaterra. A obesidade infantil também já apresenta dimensões perigosas. Segundo a OMS, existem 17,6 milhões de crianças obesas no mundo com menos de cinco anos.“A questão da obesidade no mundo é preocupante e tornou-se, nos últimos anos, um dos maiores problemas de saúde pública”, afirma o endocrinologista Carlos Medeiros. Segundo a nutricionista Fabiana Cecílio Karmax, se não for feito nenhum tipo de educação alimentar com as crianças agora, o futuro pode apresentar dados piores. “Estamos no limite do perigo.”O vice-presidente da Sociedade de Pediatria de São Paulo, Fábio Ancona Lopez, afirma que as chances de vencer a obesidade diminuem à medida que o problema persiste na adolescência e na fase adulta, chegando a cair para 80% para quem é adulto. “O alerta é para que a obesidade seja identificada na infância e que a criança seja encaminhada para tratamento rapidamente”, diz.O estudo do IBGE aponta que o aumento de peso do brasileiro se deve aos avanços para facilitar o dia-a-dia. Tecnologia, conforto e praticidade comandam e, em muitos casos, causam sedentarismo e maus hábitos alimentares. A especialista em APS (Atenção Primária à Saúde), Bárbara Starfield, professora da Faculdade de Saúde Pública e da Faculdade de Medicina da Universidade Johns Hopkins, em Baltimore (EUA), diz que é preciso limitar o teor de açúcar e gordura nos alimentos. “Mas isso é um processo gradual, tem de ser um movimento em massa, não de local.” PrevençãoA medicina preventiva tem hoje papel fundamental para evitar as doenças relacionadas ao excesso de peso. “Pessoas que têm propensão à obesidade devem adotar hábitos saudáveis como uma dieta equilibrada, exercícios físicos regulares e ajuda de especialista”, afirma a nutricionista. Perder de 5% a 10% do peso melhora os fatores de risco, diminui a pressão arterial, as taxas de glicose e o colesterol, além de trazer outros benefícios para a saúde. A forma mais recomendada, inclusive pela OMS, para avaliação do peso corporal em adultos é o IMC (índice de massa corporal). O valor obtido pelo índice estabelece o diagnóstico da obesidade e caracteriza também os riscos associados (leia mais em quadro nesta página).Estudo liga com a puberdadeUm estudo feito pela universidade de Michigan, nos EUA, aponta que meninas obesas aos três anos de idade correm o risco de atingir a puberdade aos nove anos.A pesquisa reforça o crescente volume de evidências que sugerem que obesidade infantil causa uma tendência à puberdade prematura em meninas (o normal seria a partir dos dez anos). Estudos apontam que elas também passam a consumir bebidas alcoólicas e a iniciar a vida sexual mais cedo.Segundo especialistas britânicos a puberdade prematura causa risco maior do desenvolvimento de câncer. Uma das teorias que explica o fato é de que a puberdade é iniciada pelo hormônio leptina, produzido por tecido adiposo (cojunto de células que armazenam lipídios, ou gorduras).
6/5/2007
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