domingo, 10 de junho de 2007


Técnica permite criar sangue “universal”
Um grupo internacional de pesquisadores desenvolveu um meio de converter
sangue dos tipos A, B e AB no tipo O, o chamado "doador universal". A
técnica, divulgada on-line no periódico científico Nature Biotechnology,
pode solucionar muitos dos problemas hoje existentes com a falta de certos
tipos de sangue para transfusões.
A idéia tem pelo menos uns 25 anos, mas ninguém havia conseguido desenvolver
uma maneira eficiente de transformar os tipos sangüíneos A, B e AB para se
tornassem O.

Os glóbulos vermelhos do sangue não são todos iguais. Em função de
diferentes moléculas que apresentam, como verdadeiras antenas, à sua
superfície, pertencem a um de quatro grandes grupos: A, B, AB ou O.
O problema é que todos que tem sangue A apresentam anticorpos à substância
presente nos glóbulos vermelhos do sangue B, e vice-versa, os do grupo AB
têm, como a sua designação indica, anticorpos de ambos os tipos (A e B).
Quem tem sangue O possui essa resposta imune tanto ao A como ao B (este é o
mais procurado quando não há sequer tempo para determinar o grupo sangüíneo
de um doente que precisa urgentemente de glóbulos vermelhos).
Procura-se há muito maneiras de transformar qualquer sangue em sangue de
tipo O, eliminando os bocadinhos de açúcar que distinguem os glóbulos
vermelhos dos diversos grupos.

O grupo liderado por Henrik Clausen, da Universidade de Copenhague, na
Dinamarca, promete mudar estas regras. Eles desenvolveram uma forma
de "retirar" as substâncias que definem os glóbulos vermelhos como A, B ou
AB, sem danificar as células. Na prática, eles se tornam tão inócuos quanto
os glóbulos vermelhos O.
O segredo foi manipular certos genes de bactérias de modo a obter
substâncias que conseguissem retirar os açúcares indesejáveis sem pôr em
causa a integridade e a função dos glóbulos vermelhos.
“O método deles pode permitir a fabricação de glóbulos vermelhos universais,
que iriam reduzir substancialmente a pressão sobre os suprimentos de
sangue", dizem Geoff Daniels, do Instituto para Ciências de Transfusão de
Bristol, na Inglaterra, e Stephen Withers, da Universidade de Columbia
Britânica, no Canadá, em comentário publicado junto com o artigo de Clausen
e seus colegas.

“Os problemas ainda não estão todos resolvidos”, dizem. “Ainda será preciso
testar não apenas a eficácia, mas, sobretudo a inocuidade destes glóbulos
vermelhos nos seres humanos. Mas, se confirmarem às expectativas, as
repercussões serão imensas”.


Ciência e Saúde/Medicina – g1.globo.com
Atualizado em 02/04/2007 - 12h44
http://g1.globo.com/Noticias/Ciencia/0,,MUL17143-5603,00.html

Colaboração
Profa Luciana Mara Lorenzini

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