sexta-feira, 6 de julho de 2007

NÃO CONTÉM GLUTEN


De repente, aquela cervejinha gelada na happy hour ou o copinho de uísque do fim de semana passam a ser terminantemente proibidos. Comer fora de casa exige todo o cuidado do mundo. Pães, bolos e salgadinhos, só se forem especiais, sem farinha de trigo. Até a hóstia da comunhão católica é vetada -é preciso conversar com o padre para passar a comungar tomando vinho. Assim é a vida após o diagnóstico de doença celíaca, intolerância permanente ao glúten (proteína presente no trigo, na aveia, no centeio, na cevada e no malte), que costuma surgir na infância, mas pode aparecer em qualquer idade. Até há pouco tempo restrita ao universo de quem tem o problema e a seus amigos e familiares, a doença celíaca ficou mais conhecida no Brasil depois da entrada em vigor, em 2003, da lei que obriga os fabricantes de alimentos a declarar, nos rótulos, as palavras "contém glúten" ou "não contém glúten". Nos últimos anos, estudos vêm sendo feitos para detectar a prevalência do problema na população brasileira. O último deles, realizado na cidade de São Paulo, mostra que há mais afetados do que se imaginava: pelo menos 1 em cada 214 pessoas estudadas apresentou o problema. Realizado por uma equipe da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e publicado no "European Journal of Gastroenterology and Hepatology", o levantamento avaliou 3.000 doadores de sangue -indivíduos que, presumivelmente, consideram-se saudáveis. Estudos semelhantes feitos anteriormente em Ribeirão Preto e em Brasília haviam detectado uma prevalência menor: 1 para cada 273 e 1 para 680, respectivamente. "Parecia ser uma doença rara, mas descobrimos que a prevalência é alta no nosso meio", afirma a coordenadora da pesquisa, a gastroenterologista pediátrica Vera Lúcia Sdepanian, chefe do ambulatório de celíacos da Unifesp. Segundo ela, a grande variação em relação a Brasília pode ser devido à diferença de etnias dos moradores. A doença celíaca afeta mais descendentes de europeus do que negros e índios. A pesquisadora ressalta que a prevalência em São Paulo provavelmente é até maior do que o índice obtido. Isso porque o estudo foi feito em duas etapas. Na primeira, avaliou-se se um anticorpo chamado transglutaminase estava elevado -o que ocorre nos celíacos, mas não confirma o diagnóstico. Para ter certeza do quadro, é preciso fazer uma biópsia do intestino delgado, e apenas metade dos pré-selecionados na primeira fase concordou em fazer essa investigação. "Se todos os doadores com anticorpo positivo tivessem concordado em fazer a biópsia e mantivéssemos a mesma proporção de posivitividade, pode ser que esse índice chegasse a 1 em cada 100 pesquisados", diz Sdepanian. Ela acredita que, quando as indústrias perceberem que há bastante gente afetada, as opções de alimentos para celíacos devem aumentar. "Na Europa, existem grandes indústrias que produzem apenas alimentos para celíacos. No Brasil, são mais as empresas pequenas e médias que perceberam o potencial desse mercado", diz. Nos EUA, é possível até participar de cruzeiros, jantares e convenções onde tudo o que é servido é isento de glúten -uma empresa criada por um celíaco se especializou nisso. Desde que sejam tomados alguns cuidados, cozinhar em casa ajuda ainda a evitar a contaminação que ocorre com freqüência em restaurantes e padarias, nos quais a mesma pessoa que prepara e serve alimentos com glúten manuseia os alimentos sem glúten.


Portanto... pensem no papel dos nutricionistas para a melhor qualidade de vida de pacientes celíacos...

Nenhum comentário: