quinta-feira, 21 de junho de 2007


Tragédia Brasileira



Os números da pesquisa do IBGE sobre expectativa de vida dos brasileiros revelam, mais que uma melhora dos nossos índices, os paradoxos da sociedade que estamos construindo.
Aumentamos a nossa esperança de vida ao nascer para 71 anos, mas estamos ainda longe de países que têm economias muito menores que a nossa, como Cuba e Chile (76,1anos), Argentina (74,2 anos) e até mesmo Colômbia (72,2anos), com todo seu problema de violência.
A principal razão para a melhora é a drástica redução da mortalidade infantil, que nos últimos 20anos caiu de 69 óbitos por cada mil crianças nascidas vivas para 28,4. Mesmo assim estamos em posição literalmente medíocre entre os países do mundo.
A meta do governo para 2007, de reduzir a mortalidade infantil em 11%, chegando a 24 óbitos por mil, não nos garante uma melhoria relativa contínua. Os mesmos países citados acima têm também um índice de mortalidade infantil melhor que o nosso. Cuba tem índice de 6,5 crianças mortas por cada mil nascidas vivas, melhor que os Estados Unidos, cujo índice é de 7 crianças. O Chile tem 10,1 e a Argentina 16,6.
Mas o mais grave de todos os paradoxos é que a nossa média de expectativa de vida não cresce mais por causa de violência urbana entre os jovens da faixa etária entre 15 e 24anos. As principais causas de morte dos jovens no mundo são os acidentes de trânsito e homicídios, e a situação do Brasil no ranking mundial é simplesmente catastrófica.
Na terceira edição do Mapa da violência, pesquisa realizada pela Unesco, quando se trata de homicídios e outras violências, pó Brasil ocupa a terceira posição , só superado por Colômbia e Venezuela.
A situação nas capitais é dramática. Em 1980, no rio de Janeiro, os homicídios de jovens entre 15 e 24 anos representavam 33,2% das mortes totais na capital. No ano de 2000, passou a representar 53,2%.
Em São Paulo, o índice era de 22,1% em 80 e passou a 61,8% em 2000. A situação piorou em todas as capitais brasileiras, transformando-se em uma praga social: a média brasileira era de 14% em 80 e mais que dobrou, passando a ser de 35,1% em 2000.
Essa tragédia social faz com que o diretor- geral da UNESCO no Brasil, Jorge Werthein, se pergunte: por que não há uma política nacional em relação aos jovens? Ele lembra que sempre que o governo estabelece um projeto nacional, os resultados acabam aparecendo. A redução da mortalidade infantil é um exemplo claro. A política de combate à AIDS é outro exemplo de projeto nacional bem sucedido.

Merval Pereira
Colunista do jornal O GLOBO

Colaboração Prof. Sergio Paulo Josely

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